A frase “perdoa e esquece” já causou dano suficiente. Ela sugere que, se a lembrança voltar, o perdão não foi verdadeiro. Não é assim que a memória humana funciona, nem é isso que o texto bíblico pede.
O que o perdão é
Perdoar é abrir mão do direito de cobrar. É decidir que aquela dívida não vai mais governar suas próximas escolhas. A lembrança pode permanecer; o poder dela sobre você diminui.
O que o perdão não é
Não é dizer que o que aconteceu não teve importância. Não é obrigatoriamente restaurar a mesma proximidade. Não é abrir mão de limites necessários. Perdão e confiança são coisas diferentes: um se concede, a outra se reconstrói.
Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou.
Quem perdoa não está fazendo um favor ao outro em primeiro lugar. Está saindo de uma prisão que ele mesmo já não queria habitar.