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Vida Cristã

Sal da Terra e Luz do Mundo: Como deve ser um verdadeiro cristão

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Sal da Terra e Luz do Mundo
Foto de autor não informado via rawpixel — licença CC0

Você já se fez alguma destas perguntas?

  • Virei cristão, e agora?
  • O que muda quando viro cristão?
  • Afinal, o que é um cristão?
  • Como é ser cristão de verdade?
  • Como Deus quer que eu seja?

São perguntas que não pertencem só a quem acabou de se converter. Elas voltam depois de anos de igreja. A Bíblia explica como é e como não é um cristão verdadeiro.

O que é um cristão?

No dicionário, a definição é curta: cristão é quem professa o cristianismo, quem segue Cristo. Historicamente, o nome não foi escolhido pelos próprios discípulos. Lucas registra que 📜 “em Antioquia os discípulos foram, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26). A palavra “cristão” vem do grego Christianos (Χριστιανός), derivado de Christos (Χριστός), “Cristo” ou “Ungido”. O termo designava aqueles que pertenciam a Cristo ou eram identificados como seus seguidores. No Novo Testamento inteiro o termo aparece só três vezes (Atos 11:26; Atos 26:28; 1 Pedro 4:16) — o que os discípulos usavam para se descrever era outra coisa: discípulos, irmãos, santos, seguidores do Caminho.

À luz da Bíblia, cristão não é rótulo religioso, herança de família nem nome de instituição. É quem segue Cristo a ponto de as pessoas ao redor reconhecerem Cristo nele. Foi assim que o nome nasceu, e é exatamente esse o ponto em que Jesus toca ao descrever seus discípulos.

O falso cristão

Mateus 7:21-23JFA

21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

É impressionante o que essas pessoas afirmam ter realizado. Chamaram Jesus de Senhor, profetizaram, expulsaram demônios e fizeram milagres — e, ainda assim, ouviram: “Nunca vos conheci”. O problema não era falta de palavras ou obras, mas de relação com Deus. Jesus não diz que fizeram pouco, mas que “nunca as conheceu”. Ali, “conhecer” não significa apenas saber quem alguém é, mas expressa vínculo, pertencimento e intimidade verdadeira com Deus.

A Escritura toca nesse ponto de muitas maneiras, mas sempre pelo mesmo aspecto: a distância entre a fé de aparências e a verdadeira fé. Jesus denuncia a aparência de santidade que encobre uma realidade interior diferente: 📜 “por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia… exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia” (Mateus 23:27-28, JFA). Também critica a devoção praticada para ser vista pelos outros: 📜 “quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens” (Mateus 6:5, JFA).

Essa aparência exterior pode alcançar até a própria adoração. Jesus diz: 📜 “Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim” (Mateus 15:8, JFA). João aplica o mesmo princípio àqueles que afirmam conhecer a Deus, mas não vivem de acordo com sua vontade: 📜 “Aquele que diz: Eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 João 2:4, JFA).

Por fim, a Escritura mostra que essa incoerência se revela na própria vida. Paulo fala daqueles que têm “aparência de piedade”, mas negam o seu poder ao viverem de modo contrário àquilo que professam (2 Timóteo 3:5, JFA), e daqueles que “afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam” (Tito 1:16, JFA).

Em todos esses casos, o ponto é o mesmo: a aparência da fé pode existir sem uma fé verdadeiramente vivida. Não se trata simplesmente de alguém que caiu ou tropeçou, mas de quem vive a fé exteriormente enquanto permanece distante de Deus interiormente. É alguém que frequenta a igreja, conhece a linguagem da fé, pratica obras religiosas e até demonstra devoção, mas seu coração não foi verdadeiramente transformado e sua vida não está rendida a Cristo.

Jesus chama o falso cristão de joio e explica por que Deus não o elimina imediatamente do meio do trigo: para não arrancar também o trigo antes da hora. 📜 “Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa” (Mateus 13:29-30, JFA). Deixar o joio crescer não é indiferença, mas cuidado com o trigo. A separação acontecerá na ceifa, no fim do mundo, quando os anjos separarão o joio do trigo (Mateus 13:39-43). A paciência de Deus não é aprovação: é prazo. Enquanto ele corre, a pergunta não é sobre o joio ao lado, mas sobre a própria raiz: não apenas “eu sou cristão?”, mas “o que a minha vida mostra?” É nesse ponto que entram as duas imagens usadas por Jesus para descrever seus discípulos.

O verdadeiro cristão: sal da terra e luz do mundo

Mateus 5:13-16NAA

13 Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. 14 Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. 15 Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.

Quando falou isso, Jesus estava ministrando o Sermão do Monte e acabara de descrever as características dos bem-aventurados: humildes de espírito, mansos, misericordiosos, pacificadores e perseguidos por causa da justiça e de Cristo. Em seguida, declara: 📜 “vocês são o sal da terra e a luz do mundo”. A sequência sugere que Jesus estava sintetizando, nessas duas analogias, a identidade e a missão de seus discípulos.

Assim como o sal preserva e realça o sabor, e a luz ilumina, o cristão é chamado a influenciar o mundo pelos valores do Reino de Deus e refletir o caráter de Cristo. Essa fé se manifesta em boas obras e bom testemunho, para que as pessoas reconheçam Deus e glorifiquem o Pai.

O que é ser “sal da terra”?

Para compreender essa missão de forma prática, alguns textos bíblicos ajudam a mostrar como o cristão pode exercer essa influência.

Ser sal é influenciar pelo bom testemunho

Pedro orienta os cristãos a manterem “conduta exemplar” entre os que não creem, para que, ao observarem suas boas obras, eles “glorifiquem a Deus” (1 Pedro 2:12). Paulo reforça que devemos viver “irrepreensíveis e puros” em meio a uma geração corrompida, preservando uma conduta que reflita os valores de Cristo (Filipenses 2:15). Esse testemunho não consiste apenas em evitar o mal, mas em viver de modo que nossa presença exerça uma influência positiva sobre aqueles ao nosso redor. Ser sal é, portanto, manifestar os valores e o caráter de Cristo por meio da fé, das boas obras e de um testemunho que corresponda à Palavra.

Ser sal também é influenciar pelas palavras

Ser sal também está na maneira como falamos. Paulo orienta: 📜 “Que a palavra dita por vocês seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada um” (Colossenses 4:6). Não basta ter a verdade; é preciso sabedoria para saber o que dizer, quando dizer e como dizer. Como afirma Eclesiastes 8:5, 📜 “o coração do sábio conhece o tempo e o modo certo de agir”. Por isso, ser sal também é usar as palavras para comunicar a fé, aconselhar, corrigir, encorajar e ensinar, transmitindo graça e conduzindo pessoas à verdade.

Ser sal é produzir uma influência que faz bem

Ser sal não é apenas evitar o mal, mas produzir o bem e transmitir graça. Paulo orienta: 📜 “não saia da boca de vocês nenhuma palavra suja, mas unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Efésios 4:29). Provérbios reforça: 📜 “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e remédio para o corpo” (Provérbios 16:24). Ser sal é, portanto, edificar, encorajar, repartir, aconselhar, orientar e transmitir graça, fazendo com que nossa presença produza bem na vida das pessoas.

Para ser sal, é preciso ter sal em si mesmo

Jesus é direto: 📜 “O sal é bom; mas, se o sal vier a se tornar insípido, como lhe restaurar o sabor? Tenham sal em vocês mesmos e paz uns com os outros” (Marcos 9:50, NAA). O sal insípido perde sua função; da mesma forma, o cristão pode perder sua influência quando sua vida deixa de refletir aquilo que professa. Nesse caso, sua mensagem pode perder impacto, pois o testemunho já não acompanha aquilo que anuncia. Antes de influenciar o mundo, o cristão precisa ter em si aquilo que anuncia. Não podemos professar uma fé que não vivemos; é preciso que a verdade de Cristo esteja presente em nossa própria vida. Por isso, ter sal em si mesmo significa cultivar uma vida de comunhão com Deus, alimentada pela Palavra, pela oração, pelo jejum e pela obediência. Quem tem sal em si mesmo pode salgar o que está ao seu redor.

O que é ser “luz do mundo”?

Ser luz do mundo é refletir o caráter de Cristo através da vida, manifestando o amor e a luz de Deus em meio às trevas espirituais do mundo. A luz ilumina, revela o caminho e expulsa as trevas — e é para refletir essa luz que Jesus chama seus discípulos.

O cristão é como uma lamparina: não tem luz própria

Cristo é a verdadeira Luz; o cristão não produz essa luz, apenas a recebe e a reflete. Jesus declara: 📜 “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8:12, NAA). Ainda assim, ele diz aos seus discípulos: 📜 “Vocês são a luz do mundo” (Mateus 5:14). A aparente tensão se resolve quando entendemos que a luz do cristão é a luz de Cristo resplandecendo nele.

Paulo explica que, quando Deus nos tira da cegueira espiritual e nos concede o entendimento do evangelho, Ele faz resplandecer em nosso coração a luz que permite conhecer a sua glória em Cristo: 📜 “Deus, que disse: ‘Das trevas resplandeça a luz’, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo” (2 Coríntios 4:6, NAA). A luz não nasce em nós; Deus a faz resplandecer em nós, iluminando nosso entendimento para conhecermos a sua glória em Cristo. Somos como a lamparina: não produzimos a chama, mas a recebemos para que ela ilumine.

Ser luz é mostrar Deus através das boas obras

Jesus liga diretamente a luz às boas obras: 📜 “Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5:16, NAA). Ser luz é viver de modo que as pessoas percebam Deus através da nossa vida — no comportamento, nas atitudes, no proceder e na maneira como fazemos as coisas. As boas obras tornam visível aquilo que cremos e apontam para Deus, não para nós mesmos.

Ser luz é viver e andar de maneira diferente do mundo

Paulo mostra que ser luz não é apenas falar sobre Cristo, mas viver de acordo com aquilo que Ele ensina. “Porque no passado vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz” (Efésios 5:8, NAA). Essa nova vida produz “bondade, justiça e verdade” e busca descobrir “o que é agradável ao Senhor” (Efésios 5:9-10). Por isso, o cristão não deve participar das “obras infrutíferas das trevas”, mas viver com sabedoria, cuidado e discernimento, “aproveitando bem o tempo” (Efésios 5:11,15-16). Ser luz é deixar as trevas para trás e viver de modo que nossa maneira de viver revele a diferença que Cristo produz em nós.

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